18/07/2007

NUMA CRISE SE OBSERVA QUEM É LIDER, QUEM É ENGANAÇÃO II

Antonio Ribeiro de Paris

O presidente Lula está longe do alcance da retina do cidadão brasileiro desde que aconteceu a maior tragédia da aviação da América Latina. Lula fez ler uma nota protocolar que decreta o luto. Mandou fazer saber da sua querência da abertura de inquérito policial e dizem seus acólitos, está consternado. Numa tragédia desse porte, qualquer presidente digno do cargo teria se achegado de imediato aos familiares e amigos das vítimas. Teria ido apertar contra si o filho órfão, abraçar a mãe e o pai em desespero, compartilhar da tristeza do amigo inconsolável. Seria o mínimo. E se não fosse presidencial, seria mesmo, bem brasileiro. Mas não. O presidente se precaveu com aquela distância que rainha britânica Elizabeth II tomou do povo inglês depois da morte da princesa Diana. Não é bem o desdém ou a falta de consciência da tragédia que acometeu George W. Bush seguida a visita devastadora do furacão Katrina em Nova Orleans. Lula sabe bem do tamanho da encrenca.

O presidente sente sim, o temor de ser acusado de contribuir para não evitar a tragédia anunciada desde 2003 pelo então ministro da Defesa José Viegas que previa o caos aéreo se nada ou pouco fosse feito para evitar. Lula teme o parente de uma vítima lhe fazendo a acusação a queima roupa. Seria tão ou mais desconfortável que as vaias de mais de 80.000 no Maracanã. Contrário ao palmarès dos escândalos de corrupção onde, sistematicamente, o presidente disse ter estado alheio, é impossível afirmar o desconhecimento do caos aéreo e que tudo fez para evitar suas conseqüências. A rainha Elizabeth II acabou recuperando o brio e foi solidarizar-se com a dor dos súditos. Mas é pouco provável que Lula ganhe coragem com a mesma rapidez em que perdeu a vergonha.


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